Selo Origem Santa Catarina: o reconhecimento do Sebrae aos produtos da nossa terra

Em 12 de fevereiro de 2021, a Confra recebeu do Sebrae/SC o selo Origem Santa Catarina. O quadro que chegou naquele dia resume em poucas palavras o que a gente sempre tentou fazer na cozinha: “Aqui tem produtos de origem catarinense”. Neste post explicamos o que é o selo, o que um restaurante precisa comprovar para recebê-lo e, principalmente, contamos as visitas que fizemos aos produtores da região antes disso, porque foi ali que o reconhecimento começou a ser construído.
Em resumo
- O selo Origem Santa Catarina é uma marca do Sebrae/SC que identifica negócios com produtos ligados ao território catarinense.
- Para restaurantes, a regra pede que pelo menos 10% do cardápio traga matéria-prima, técnica ou receita da nossa terra.
- A Confra recebeu o selo em fevereiro de 2021.
- Antes disso, entre 2017 e 2018, visitamos uma vinícola, um meliponário, uma cooperativa de banana, um artesão e uma produtora de palmito.
Neste post

O que é o selo Origem Santa Catarina
A marca Origem Santa Catarina faz parte do Programa de Valorização dos Atributos Territoriais do Sebrae/SC. A ideia do programa é dar visibilidade a pequenos negócios que produzem ou vendem coisas com raiz no território catarinense: uma matéria-prima típica, uma técnica tradicional, uma receita de família ou um produto com Indicação Geográfica, como a Banana da Região de Corupá, os vinhos de altitude da Serra ou o queijo artesanal serrano.
Na prática, o selo funciona como um aviso para quem chega: aqui você vai encontrar alguma coisa que só existe porque existe Santa Catarina. Para o turista, é uma forma de comer o lugar. Para quem mora aqui, é um lembrete de que muita coisa boa é produzida a poucos quilômetros de casa, por famílias que a gente às vezes nem sabe que existem.
O que um restaurante precisa comprovar
Para restaurantes, a regra é bem concreta. Pelo menos 10% dos itens do cardápio precisam trazer a matéria-prima, a técnica ou a receita da nossa terra. O restaurante declara quais são esses itens, e a declaração é avaliada por um técnico do Sebrae. O uso irregular da marca pode render um veto de um ano. Ou seja, o selo não chega pelo correio para quem pede: ele depende do que está no prato e de alguém de fora conferir.
No nosso caso, essa parte foi a mais fácil de explicar, porque muitos dos produtos que usávamos tinham nome, sobrenome e endereço. Vários deles chegaram ao cardápio justamente por causa das visitas que você vai ver a seguir.
Antes do selo, as visitas
O selo veio depois de um trabalho que começou bem antes. Entre 2017 e 2018 fizemos uma série de visitas técnicas aos nossos fornecedores e a produtores da região, para ver de perto como o alimento é cultivado e cuidado antes de chegar até nós. Em 2021, quando o selo chegou, voltamos a essas fotos e contamos cada visita nas redes, numa série que chamamos de “recordações”. A gente costuma dizer que comida é de pessoas para pessoas, e essas visitas mostram isso melhor do que qualquer frase: em toda a cadeia existem famílias que dedicam tempo, conhecimento e cuidado ao que vai para a sua mesa.
Vinícola Pericó, São Joaquim, março de 2017

Chegamos na 11ª colheita da vinícola. O vinhedo fica a 1.300 metros de altitude, onde a noite fria faz a uva amadurecer devagar e a planta tem tempo de concentrar açúcar e aroma. O que mais impressionou foi o cuidado com o solo antes mesmo do plantio. As pedras do terreno foram retiradas, moídas e devolvidas à terra, e o solo foi revirado quatro vezes, com seis meses de sol entre uma vez e outra.
No dia a dia, lhamas e ovelhas circulam entre as parreiras para adubar e manter o solo. Roseiras plantadas na ponta das fileiras funcionam como alarme: pelo aspecto e pelo perfume da rosa, os técnicos percebem se insetos passaram pelo vinhedo durante a noite. A colheita é manual, com a ajuda de um trator pequeno. Também ouvimos uma curiosidade que guardamos até hoje: parte das uvas fica reservada para um vinho do gelo, que só é feito se o inverno chegar a seis graus negativos e congelar os cachos no pé. Se o frio não vem, essas uvas viram outro vinho da casa. Quem gosta de vinho pode continuar a conversa nos nossos posts sobre quando decantar um vinho e como degustar melhor.
Abelhas nativas, Corupá, setembro de 2018

Visitamos um criador de abelhas nativas sem ferrão, as mesmas que polinizam boa parte das plantas da Mata Atlântica. Cada espécie tem um jeito de construir a entrada da colmeia, e cada uma produz um mel diferente, mais líquido e mais ácido que o mel comum. Essa visita rendeu o post Abelhas sem ferrão: um mundo dentro da caixa. Hoje a Confra também tem as suas próprias abelhas jataí.
Cooper Rio Novo, Corupá, outubro de 2018

A cooperativa de onde vinham a banana da região e a biomassa de banana verde que usávamos, por exemplo, nos nossos sorvetes artesanais. Ali deu para acompanhar o caminho da fruta, do cacho que chega do bananal e fica pendurado no galpão até as caixas que seguem para o mercado. Um ano depois, levamos essa mesma banana para a Festuris 2019, em Gramado.
Chico Romão, Corupá, outubro de 2018

Um artesão que transforma a folha seca da bananeira em tigelas e peças de uso e de decoração. A visita mostrou que a banana da região não está só no prato: ela movimenta uma cultura inteira, com gente que aproveita até o que sobraria no bananal. Quem gosta de trabalho feito à mão pode ler também o nosso post sobre cerâmica artesanal.
Berri, Jaraguá do Sul, dezembro de 2018

Palmito em conserva de palmeira-real, cultivado aqui mesmo em Jaraguá do Sul. A palmeira-real é plantada para o corte, o que evita a extração do palmito nativo da mata. Acompanhamos desde a muda até o envase, e saímos de lá com mais um produto da cidade no nosso cardápio.
A nossa própria horta

No Confra Restaurante, parte das folhas verdes e dos temperos saía da nossa própria horta. Alface, manjericão, cebolinha e outras ervas, como as que aparecem nas fotos, iam da terra direto para a cozinha. Foi o jeito mais direto que encontramos de saber exatamente de onde vinha o que servíamos.
Linha do tempo
| Mar/2017 | Visita à Vinícola Pericó, em São Joaquim |
|---|---|
| Set/2018 | Visita ao meliponário de abelhas nativas, em Corupá |
| Out/2018 | Visitas à Cooper Rio Novo e ao artesão Chico Romão, em Corupá |
| Dez/2018 | Visita à Berri, produtora de palmito, em Jaraguá do Sul |
| Nov/2019 | A Confra leva a banana de Corupá para a Festuris, em Gramado |
| Fev/2021 | Entrega do selo Origem Santa Catarina pelo Sebrae/SC |
Outras visitas da nossa cozinha
Algumas visitas não ficaram registradas em foto, mas fizeram parte do mesmo caminho. Elas foram conduzidas pelo Eduardo de Carvalho, que na época cuidava da nossa cozinha e estudava Gastronomia na Univille.
Na Terra Natal, a conversa foi sobre café especial e torra. Vimos de perto como a temperatura do tambor, o fluxo de ar e o tempo mudam o resultado na xícara, e como a própria reação de Maillard, a mesma que doura a carne na brasa, aparece na torra do grão. Na Anaconda, o tema foi o trigo e a farinha, da estrutura do grão até a diferença entre farinha comum, especial e integral, um conhecimento que foi parar no nosso pão rústico. E em São Francisco do Sul, com orientação da professora Mariana Duprat e do chef William Vieira, do Terroir Gastronomia, aprendemos a reconhecer plantas alimentícias não convencionais que nascem na beira da praia, como a beldroega, o espinafre-da-praia e a vinagreira.
O que ficou
O Confra Restaurante, onde boa parte dessa história aconteceu, fechou em dezembro de 2025, depois de quase 20 anos. O princípio seguiu com a gente para a Confra Grill: escolher bem quem planta, cria e produz o que servimos, e dar preferência ao que é da região sempre que dá. A Antonieta Porter, a nossa cerveja premiada, por exemplo, é feita aqui em Jaraguá do Sul, pela Stannis.
Sabemos que ainda há muito a fazer pela valorização dos produtos da nossa terra. O selo foi um reconhecimento, e ao mesmo tempo um lembrete de para onde a gente quer continuar indo. Se você conhece um produtor da região que merece ser visitado, conta pra gente. A nossa história sempre foi feita assim, uma conversa de cada vez.
Perguntas frequentes
Quem concede o selo Origem Santa Catarina?
O Sebrae/SC, dentro do Programa de Valorização dos Atributos Territoriais.
Qualquer restaurante pode ter o selo?
Pode se candidatar quem comprova que pelo menos 10% dos itens do cardápio trazem matéria-prima, técnica ou receita catarinense. A declaração é avaliada por um técnico do Sebrae.
Qual a diferença entre o selo e uma Indicação Geográfica?
A Indicação Geográfica é um registro do INPI que protege um produto ligado a um lugar, como a Banana da Região de Corupá. O selo Origem Santa Catarina identifica o negócio que trabalha com produtos e saberes do território, e pode incluir produtos com Indicação Geográfica.
Quando a Confra recebeu o selo?
Em 12 de fevereiro de 2021.
Leia também
Comida de verdade em Jaraguá do Sul, feita na hora. Na Confra Grill, na praça de alimentação do shopping, na Av. Getúlio Vargas, 268, Centro de Jaraguá do Sul, aberta todos os dias das 10h às 22h, o prato é montado na hora, com o mínimo de industrializados e carnes grelhadas na churrasqueira a carvão. Veja o cardápio ou peça pelo iFood.